Diálogo Comigo Mesmo
A viagem
Comecei a viagem, a ampliar a consciência, agir de acordo com a sintonia que escolhi… a minha (rumo aonde pertenço).
Antes de tudo, sentimentos a aprender a lidar, sentimentos que não quero dentro de mim, nem no meu percurso (guardar, fomentar ou qualquer interacção que não seja de distancia aos mesmos). Transmutação do velho em novo, de facto. Consciencializar:
-A ausência de consciência de si, de mim: Cada vez que a perco, abro a porta do esvaziamento, do cofre-forte do meu bem-estar, impondo aos outros essa mesma condição, mais grave, perco e depois não tenho para dar, nem para me nutrir. Cada vez que a mantenho presente, no seu lugar, também eu fico no meu lugar. Todo e qualquer processo deve ser conduzido com esta presença, com a nossa presença e não com a nossa ausência. Consciência é fazer pensando e sentindo, sem sentimento que domine a observação. Invariavelmente num ou noutro momento deixo-me abater pela minha ausência de consciência, para, observa o momento, e começa outra vez. Em consciência de ti.
Podes ficar perdido no tempo, neste ou naquele sítio, mas observa-o.
-O vazio: Sobre muitas formas o meu vazio, oscila entre a ausência de mim e a total ausência de sintonia com o amor espiritual, como se um e outro estivessem em campos opostos, e de um equilíbrio se tratasse, um equilíbrio impossível, aparente e falso. A verdadeira e correcta dimensão desse equilíbrio só é real, quando em consciência de mim, tão natural como respirar, procuro, e encontro a verdadeira sintonia com o amor espiritual.
A transmutação das energias do passado, está em curso. Saem-me do peito como flechas invisíveis, fortes lampejos das boas intenções, nunca correspondidas até agora, como se só existissem quando se materializam e tomam forma. Formas e ideias vazias, que sendo reais e palpáveis não existem, mas assombram obsessivamente, de forma invisível. São formas-pensamento, de agora e de nunca, minhas e outras, que estão em sintonia com energias menos evoluídas de sempre. O poder da transmutação do amor, trabalha silencioso em todos os lados, aqui permite a consciência de agir de acordo com a vontade e consciência de mim. Eu sou o que sinto e penso, se penso no céu abre-se essa porta, mantém-se a polaridade, respeita-se a boa tradição, continua-se a dar com a mão direita, e a receber com a mão esquerda aquilo que nos é dado por outros com a sua mão direita, também nunca a esquerda, o hermetismo é só um código (o acesso somos nós, completos). Em verdadeira harmonia com a natureza real e natural das coisas.
A nossa casa é feita à nossa dimensão, localizam-se os alicerces, no local onde antes escolhemos em consciência pura, rasgam-se as portas e janelas de acordo com as necessidades, as chaves essas, estão todas no coração. Na medida em que a imaginação se torna palpável, tudo em casa passa a ser reflexo da vida que se faz fora de casa, como qualquer casa tem que ser arejada, limpa, usada, acarinhada, sentida como nossa, iluminada e aquecida, revestida de movimentos em actos de compaixão e compreensão em amor esclarecido, ver-se representada por todas as cores como o arco íris, os acessos limpos e desobstruídos, como qualquer casa tem que ser verdadeiramente cuidada. Criar raízes de vida e nutri-las com universalismo, com toda a alegria, tomando a tristeza por companheira de caminho, não como inimiga que afastamos, só como uma amiga em que se pensa porque está connosco, tudo como parte da natureza das coisas, em sabedoria só posso aceitar que está ali no momento por ser necessária e aceitar com amor. Em verdadeira comunhão com verdadeira vontade interior, nada se quebra tudo é respeitado. É a verdadeira natureza das coisas, aceite-se essa realidade e aproximemo-nos dela cada vez mais, libertando-nos dos falsos votos, das pressões do caminho, a verdadeira vontade interior nem está muito longe, está dentro de cada um de nós. O vazio interior só existe se não existir comunhão com o todo com o universo, com todas as flores, todas as estrelas, com cada raio de sol.
Numa partida interminável de preencher o vazio, Nessa vontade afastei-me mais e mais de mim próprio, permiti que se fechassem as portas para passar, que se fechassem – eu fechei, fechadas e presas as janelas para entrar a luz, que se obstruíssem os caminhos para caminhar, fiquei isolado numa ilha rodeado pela imensidão da vastidão do desespero. Perdido num mundo de causas e consequências, a cada expectativa uma surpresa, cada uma mais arredada da essência e realidade interior, sucessivamente num ciclo continuo de nefasta desvitalização destruidora, até à exaustão da matéria e substratos acumulados. Suspirar também se tornou penoso… Movimentaram-se os anjos, arcanjos e querubins, invocou-se firmemente em amor, alimentado a rainha dos rios a intervir e cuidar, lavaram-se estes corpos vezes sem conta neste e noutros mundos, orientou-se a cura em silencio invisível, exortou-se todo o poder desta devoção de nutrir cada parte da energia perdida, cada parte esquecida do reflexo do invisível, cada porta foi aberta, cada janela, cada caminho, a roda cantou e dançou em amor por quem guia e sustenta, sublimou-se a matéria pelo poder da transmutação e protecção esclarecida, é esta a real natureza das coisas, reflexo dos actos. A consciência quando se reintegra vem cheia de novas provas superadas e muito mais serenas e ampliada pelos mundos por onde andou. Trás consigo a força invisível do poder espiritual, trás obrigação e esclarecimento.
A realidade mais do que ter que ser encontrada tem que ser encontrada e sentida.
-Raiva: Vómito mental, que se atira aos outros. Como reagir? Não fazer e esperar que passe, é uma questão de sintonia. Ter consciência para compreender. Depois de compreendido, transforma-se em paz…uma bênção.
Movimenta a constante sintonia consciente com a compreensão.
-Ansiedade e Impaciência: Sentimento de querer… associado muitas vezes à preocupação e vontade de obter resultados, propiciando que se perca o percurso/consciência da acção (Depois de passar só fica o obtido, ou o que não o foi. O objectivo. De alguma forma um processo de ganância.). Leva a que se percam muitas coisas e não se conquistem outras, muitas vezes as mais importantes. Perdendo o valor do percurso, perde-se o valor do conquistado, e facilmente o esquecemos, ou o não mantemos pelo que vale.
Limpa e arruma a tua casa, o teu chão, com atenção com vontade de limpar a alma.
-Preocupação: Ao contrário do que sempre achei até agora, nos pequenos momentos cabem só coisas boas. Estranho mas certo, assim se num pequeno momento, aparecem sensações de grande desconforto, então o momento já passou a ser uma sucessão de momentos ou um conjunto de momentos transportado no tempo para agora. (Um sorriso, agora). O presente é um momento tão pequeno que não cabe nele o passado, os seus sofrimentos as suas preocupações, os seus males ou enfermidades. O presente pode ser a paz com o caminho, a consciência para o esclarecimento, a transmutação dos pesos e fardos do passado, é sempre o momento de afastar e de aproximar do agora o que pode vir no futuro, aprenda-se a sentir o momento, observando-o pequeno como é, não cabe o passado ou a expectativa do futuro, e, activamente e em consciência, estar, fazer, aprender, pensar, sentir, contemplar, partilhar, viver, cada vez mais em sintonia com a nossa verdadeira identidade, quem somos? Unos. Na sintonia de uma forma superior de amor que eleva, esclarece e permite que o futuro seja uma sucessão de momentos presentes, nesses agoras, nesta sintonia de harmonia e paz, irradiada pela luz no caminho, em devoção, distanciando-nos das questões e observando-as… Supera-se o ego, os vícios, os erros, ausência de nós próprios, permitimo-nos amar em pureza aquilo que a vida oferece, nós incluídos. Só assim tudo passa e ser importante, nada acontece ao acaso, nem deixado ao acaso. É possível tomar atenção a tudo, resolver o que ficou pendente, criar condição para assimilar, em frequência verdadeira com a natureza real das coisas.
Caminhar e Fazer, Estando, cada vez mais em Integração.
- Medo: O grande enigma da vida, encerra em si todo o desconhecido, todos os momentos de inconsistência do inconsciente, todo o sentimento de preocupação e peso do logro.
Já passou o comboio e agora, continuas a ter que passar a linha, então passa. Pára, ouve, olha, vê, e se não vier outro, passa. Sem medo, estás consciente.
Se estiveres cego, sente, ouve, pergunta se achares que o deves (não por medo, sim por querer partilha), e se não vier outro, passa. Sem medo, estás consciente. Se estiveres surdo, o mesmo. Passa em consciência. Se vierem muitos, mas ao longe, passa depressa, em consciência. Arrisca se preciso for, mas em consciência, sem medos. Quem permite que o medo se instale, acaba por ter medo de ter medo, “Stop”, consciência de ti e do momento, o presente é agora, um pequeno agora.
Quando passares olha para trás sem medo, vês já está, agora segue o teu caminho, mas caminha (consciente), não andes.
Perde algum tempo a observar como é a tua noção do efeito e das causas.
-Apego: Um conjunto de teias de aranha que te prendem ao passado, não te vistas com essa seda, também não podes continuar a fazer força para a frente, querendo afastar-te… são frágeis fios de nada, mas muitos, pára, sintoniza-te com a observação que esclarece e começa a cortar um por um, não olhes, vê bem o que estás a fazer, aproveita o momento corta e sente, corta-os, vê que está feito e como foi fácil, um por um, mesmo que possas cortar vários de cada vez, até não haver mais nenhum a cortar, corta todos os que não fazem falta. Vê como caem no chão, um a um, e perdem importância, agora que tu não os alimentas, deixaram de existir, são só uma parte do passado.
Agora vamos, vamos caminhar até uma cascata de águas puras e cristalinas para nos lavarmos, e lavar o passado com a água que cai de céu. Agua que vem do azul, pela mão do branco das nuvens que a soltam, cada gota pelo ar, para banharem tudo e todos na terra, um a um como cada uma delas. Lavamo-nos com as gotas que se unem para formar o ribeiro, e se precipitam outra vez no ar e agora são cascata da natureza, elas lavam, limpam e transmutam o teu passado com a força da energia da natureza por onde passaram até ao rio, recebe essa energia, elas depois voltam a entrar no mar, integrando-se na vastidão e acolhendo o sal em cada uma de si, integrando-se no seu todo. Não tenhas pena das gotas que já se evaporaram pelo caminho, elas vão voltar aqui no seu momento, alegra-te por elas.
Toda esta descrição faz-me entrar em mim, através da integração da verdadeira natureza das coisas em que também sou gota de água como tantas outras. Alem de fazer sentir, sentir e entender a verdadeira natureza das coisas. Nós e o Todo.
Andar e caminhar, encerra a grande diferença entre permitir e fazer, aceitando o caminho. Caminhar implica observar, fazer, integrar o todo a cada passo dessa consciência. O momento é de libertar do velho para dar espaço ao novo. O momento é o presente. Uma nova consciência, uma sintonia mais adequada a ti com a verdadeira natureza das coisas.
Retira do teu corpo as roupagens tecidas na teia, dessa seda não te cubras.
-As velhas sintonias: Sintonia é a ligação que condiciona o momento, sintonia com água, gera emoções líquidas com pensamentos liquefeitos e actos…
Marca o momento essa sintonia, podemos escolher tanto o que sintonizar como as suas características, a causa gera o efeito, a fonte para dirigir a nossa sintonia, mais um processo de consciência, tanto interior como exterior.
A sintonia com o universo não tem temporizador, tem que estar sempre activa.
-Questionar e não aceitar: Aceitar o envelhecimento, o tempo de percurso, nada tem nada, a ver com o passado, a idade é um momento, tenho em cada momento uma determinada idade. Tem a ver com o momento, pequeno. Onde só cabe o céu azul.
O nosso tempo é como uma rosa dentro de nós, que nasce, alimenta-se, cresce, experimenta o seu vigor, o seu lugar, aprende e conhece de quem é filha, sempre em ligação à terra, olha e aprende a observar, até que a vontade de florir a domina como se nada mais existisse, sempre em ligação à terra. O apelo é tão grande que a dor e os tecidos dilacerados já nada contam, o momento de florir chegou. Uma parte de si está inclusa, a querer banhar de ar a sua fragrância interior, fluir nos seus aromas, cada momento conta nessa necessidade grandiosa consigo mesma, e…. e nada, o momento presente repete-se, parece eterno (só uma sensação), ó necessidade cruel que alimenta na rosa o pior de si mesma, porquê assim? E a necessidade ainda aumenta mais, que confusão, que profusão de sentimentos e valores em carrossel desgovernado. Agarrem o animal, tomou o freio nos dentes, de tanta nobreza ainda se magoa!
Não seria melhor parar, mas não pára… continua mais e mais. Até que a rosa nada mais sente, nada mais vê, nada mais conta, a sua fragrância essencial embriaga-a de tal forma que… tem que explodir, não aguenta tem que explodir… e não explode!
Só quando começam a secar as partes verdes, em si, que revestem as pétalas e que as mantêm amachucadas pela falta de espaço, este verde é de vida e seca mais a cada momento, protecções tão preciosas até então… Coincidência? Coincide invariavelmente com o momento de sentir e poder sentir a sua fragrância essencial, como uma bênção que a eleva ao momento de querer faze-la fluir, de si, partilhando fora o que está dentro. O mais importante já não é florir, o mais importante é sentir que precisa de integrar em si a sintonia dessa essência, como parte integrante de si mesma no todo dessa essência, fora onde quer que pertença, em si. É a natureza natural das coisas, agora já merece, foi concedido, conquistou o seu coração que começou a integrar a sua cabeça, como um só, agora sim vão começar novos momentos na sua vida, até aí foi só percurso, um grande momento, valeu e vale pelo que representa, pelo que é, e por estar onde está, chegou ao porto de onde partem todos os caminhos.
O velhinho que há em nós não é mais do que esta rosa, agora o novo passou a ser velho e…e… e quando reconhecemos esse velhinho simpático, enrugado pelo sol, encarquilhado sobre si próprio, com a cabeça caída sobre o peito, que começa a secar por fora, abençoado pela vida…Deus o Guarde… parece uma larva de borboleta a secar por fora, mas… mas…mas observo-o, estranho olhar de menino… não esperava… um brilho especial nos olhos, reconheço o amor a fluir desses olhos, e tanta liberdade, e tanta paz, e tanto tudo, que vem de dentro daqueles olhos puros, simples e tão intensos.
Há o momento, o breve e pequeno momento em que nos integramos com o velhinho, o que sente pelos olhos, com o coração e a cabeça a cada momento. Já não volta para trás, já começou novo momento, as nossas consciências fundiram-se os nossos dedos entrelaçaram-se, os corações batem como um só, nas cabeças de um e de outro. Somos apenas um, para trás fica o último momento, floriu a rosa e caíram nessas cápsulas de tempo os tecidos mortos e secos, do verde da vida que passou.
A rosa, essa segue abrindo pétala após pétala, a cada momento. Vive a olhar para o sol, virada para a luz dos seus raios. Espalhando no campo o seu perfume suave e límpido, vibrante da luz que recebe, como se as suas pétalas abertas, fossem um pára-raios da luz do sol, recebe e transforma esses raios em perfume vibrante, que partilha com o ar. Passados muitos sucessivos momentos desta partilha, a rosa murcha, a sua essência verdadeira, já não está presa à terra. Espalhou-se pelo ar, subtilizou-se e o seu perfume é pura energia, esvaziou-se da água, dos minerais, dos elementos, retirou-se da matéria. O momento já não conta, o seu lugar no espaço também não conta. A rosa agora é pura, pura vibração de Amor em Harmonia, ficou leve e partiu. A rosa é o próprio milagre, parte integrante da verdadeira natureza das coisas, ascendeu pela luz que a guiou, rumo ao Sol…
Sem estar em lugar algum especifico, em qualquer momento, podemos sentir o seu perfume sem cheiro, a sua força, a sua energia, basta querer essa sintonia e aceitar com Amor, o Amor da Devoção, esse Amor maior, o único, o que integra tudo em todos. E todos em tudo, no uno.
Pena que as palavras sejam poucas, e todas não chegam para este momento.
Conselhos para mim, para a viagem:
Frases soltas, que pairam no ar que respiro:
Não dividas o indivisível, junta-o sempre que estiver separado.
Gosta dos outros como a ti próprio, consciente.
Esquece o que não sabes, valoriza mais o que sabes e aprende mais.
Faz, deixa fazer, por ti, pelos outros, a ti, aos outros, nos outros, em ti.
Trabalha o futuro, hoje, para amanhã, liberta-te…
Lembra-te das palavras de Jesus Cristo a Pedro:
“…os mortos que enterrem os mortos, tu vens comigo.”
Nunca te esqueças do teu nome, ele encerra muitas chaves e segredos…
Em caso de grande necessidade:
Sempre que assim for, espera pelo momento certo em que te podes recolher no teu lugar seguro, mantêm a serenidade, age e aguarda que se manifeste o sinal para o fazer sem distúrbios, evitando mais distúrbios.
No teu lugar perfeito, bem dentro de ti, pára na porta antes de entrar, deixa lá fora toda e qualquer inquietação. Depois entra e sente a protecção, descansa o corpo, quando recuperado o corpo, tens que cumprir as tuas tarefas no teu lugar seguro, mantém-no em perfeitas condições de ordem e limpeza, faz isso com consciência de cada movimento e resultado, quando terminares tens agora a tua cabeça descansada, senta-te, pára agora um pouca para observar, atenta a todos os pormenores, sente sem pensar, deixa as armaduras no seu lugar de repouso, mantém essa contemplação pelo tempo que durar, aquietás-te o teu coração também? Então recuperás-te a paz. Podes olhar em volta antes de sair, agradece o teu momento de recuperar a paz e sai.
A paz é uma chama que só se mantém acesa dentro de ti, se respirar sem correntes de ar. Ela volta-se a acender sozinha, logo que a cabeça to permita e o coração a sinta. Harmonia, como vês é simples.
Servindo e Trabalhando com Amor…
Braco
Parede, Segunda-feira, 5 de Junho de 2006.