Publicado por: soulsseeker | Junho 29, 2008

O Sopro

O Sopro

 

No caminho de regresso a casa depois da aventura do encontro e desencontro com a descoberta, deixamos a cada movimento nos caminhos palmilhados as pegadas, lágrimas e risos que são reflexo do transmutado, de agora e de sempre.

O nosso caminho individual e colectivo de regresso à verdadeira condição real do que somos, muito para alem do que em matéria nos condiciona, nesta escola, nesta malha electromagnética de condição em evolução, tornamo-nos presentes e semi-consciente da real realidade, em que aprendemos a sentir a integração, em que nos damos, na oportunidade de servir integrando que servindo e partilhando o fluxo natural do maior, aproximamo-nos do que somos, ser em essência manifestada na matéria.

A prática manifestada de evoluir torna-se mais consciente, mais real e aí começamos a existir, cresce a noção de que existe uma força que nos leva e trás a consciência da manifestação mais subtil da nossa essência. Tornamo-nos seres essenciais, fica mais fácil sentir a flor de lótus a crescer e a tomar conta dos nossos pensamentos, dos nossos gestos e cada vez mais das nossas palavras.

O desafio torna-se maior, não o da obrigação, sempre com os olhos da alma em algo maior, com os olhos na partilha. Sim a partilha de servir, permitir que cresça dentro de nós o que queremos, manifestado no plano da vontade real, e muito para trás fica a sensação o desejo. Ficam para trás as certezas da escola da infância, dos compromissos da culpa, as razões das consequências do que nos obrigou a evoluir em comparação. É aí que perdemos uma identidade que afinal era só uma máscara com muitas faces, é daí que os maiores medos, os maiores compromissos do mundo aparente caiem no chão e ficamos rodeados de cacos e escombros. Mas não desanimamos, sentimos o desanimo, mas não nos toca, temos sempre um sopro que nos faz tornar à vida depois de cada morte interior e profunda, uma morte que é só aparente. O que morre não somos nós, é a casca da cebola a soltar-se. Somos de facto a Fénix devolvida à vida, tantas vezes tantas as cascas de cebola que temos por soltar. A essência está lá, mas só a podemos valorizar se nos dermos ao trabalho de conhecer cada bocadinho de cada casquinha que se solta e fica para trás com cada lágrima, com cada sorriso, com cada movimento do caminho.

Mas nada disto seria possível se não fossemos tocas pelo sopro dos anjos.

O sopro dos Anjos que nos trás de novo à vida, ao caminho, ao animo de manter a vontade arredada da ilusão, até que conseguimos cada vez melhor. Até que conseguimos ser mais o que somos para alem das cascas que nos tolhem a capacidade de sentir a nossa essência, e começamos a sentir o brilho. O brilho dos Anjos que somos, ajudados pelo brilho de cada sopro de amor, por cada gesto, por cada palavra, por cada silencio para crescer e despertar.

Não sei o que escrevo, nem porquê, mas sinto e escrevo.

Uma coisa sei, muitos Anjos têm cara e corpo, já consigo ver Anjos.

Por isso aqui estou, por isso te oiço, por isso confio em ti…

Anjo amigo, reconheço o teu sopro, sei que não queres que te diga nada, mas eu não digo…

Sinto e quero merecer cada vez mais a capacidade de brilhar em humildade e servir.

Estou grato ao caminho, ao sopro, e a tudo o que terei de enfrentar, até servir melhor, cada vez mais e sempre em equilíbrio. Só tenho que me encontrar nesse equilíbrio, esse é o maior desafio até agora no meu caminho. Quero soprar essa brisa por onde possa servir. Estou grato a ti, por me fazeres sentir merecedor da tua atenção Anjo Amigo…

O teu sopro é o de todos os Anjos, Alma Amiga.

 

                                                                                                                     

Braco

 2006


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